sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Transgênicos aumentam em até três vezes incidência de câncer

Estudo revelou que ratos alimentados com milho transgênico aumenta a incidência de cancer em ratos que acabam morrendo mais rapidamente. O cientista Gilles-Eric Seralini, da Universidade de Caen na França, que coordenou o estudo afirmou que os resultados da pesquisa são alarmantes.

Artigo no iG
http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-09-19/estudo-revela-toxicidade-alarmante-dos-transgenicos-para-os-ratos.html

Artigo de Mike Ludwing no Truthout:
http://truth-out.org/news/item/11639-french-study-finds-tumors-and-organ-damage-in-rats-fed-monsanto-corn

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Morreu Neil Armstrong

Morreu no sábado, 25 de agosto de 2012, devido a complicações devido a uma cirurgia de ponte de safena, Neil Armstrong, a primeira pessoa a pisar na Lua.

A sua famosa frase "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade!" sempre será uma lembrança constante do que podemos realizar quando colocamos nossa mente para trabalhar, mesmo que os desafios sejam considerados intransponíveis.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Veneno está na Mesa

O novo documentário do diretor Silvio Tendler analisa como a indústria de agrotóxicos (chamado por eles de defensivos) está dominando o Brasil. Os argumentos são os velhos conhecidos como sem agrotóxicos não seria possível plantar a mesma quantidade de alimentos.

O mais interessante é ver como o sistema funciona incentivando o uso desses produtos altamente tóxicos e também das sementes geneticamente modificadas (GM). Por exemplo acho que poucos sabem que os agrotóxicos são subsidiados pelo governo brasileiro através de 60% de insenção de impostos. Além disso para o agricultor conseguir empréstimo no banco ele precisa mostrar as notas de compra dos agrotóxicos e sementes GM para fins de seguro junto ao banco. Se ele escolher não usar esses produtos ele não consegue o empréstimo com juros menores através dos programas governamentais.

Não é à toa que o preço dos orgânicos é maior, tornando-os inacessíveis para a grande maioria da população.

Quando aparecem notícias relacionadas ao assunto nos jornais a impressão que passa é que os agricultures, grandes ou pequenos, escolhem usar agrotóxicos ou sementes GM para aumentar sua produção. Com certeza tem aqueles que fazem isso usando até produtos que são banidos no Brasil e não se iluda a regulamentação brasileira é bem mais fraca que a europeia e dos EUA, se foi banido aqui é porque não deveria ser usado em hipótese alguma. Mas para muitos, se tivessem a opção mudariam para a agricultura orgânica, principalmente no caso dos pequenos agricultores porque eles trabalham diretamente com a terra e sente os efeitos desses venenos na própria pele, literalmente, enquanto os grandes contratam pessoas para isso e muitas vezes nunca nem foram nas suas plantações.

Um documentário que todos deveriam assistir.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Mitos sobre Energia Nuclear

Os críticos da eliminação de energia atômica disseram que as emissões de carbono, custos e importação iriam subir. Depois de um ano do plano de eliminar a energia nuclear na matriz elétrica e o fechamento de oito centrais (equivalente a 7GW) a Alemanha prova que estavam errados.

Muitos dizem que eles só conseguiram devido a crise econômica, que a economia alemã deve ter encolhido mas o fato é que cresceu 3%.

O sucesso alemão se baseia em alguns fatores que qualquer país pode usar de exemplo, inclusive o Brasil:

- Um bom planejamento, que vem sendo feito desde 2002;

- Houve um grande aumento da eficiência energética em prédios, casas e na indústria, e também em parte ao inverno suave que levou a diminuição de 5.3% do consumo;

- Devido a substituição de 60% da capacidade nuclear perdida por energias renováveis em apenas um ano as emissões de carbono caíram 2% contrariando aqueles que pensaram que aumentariam porque seria substituído por carvão;

- Os custos realmente subiram de 10-15% nas semanas após o desastre de Fukushima mas devido ao fato que agora 20% da oferta de energia vem de renováveis os preços caíram para aproximadamente 10-15% abaixo dos praticados antes de Fukushima;

- Mas o que realmente fez a diferença foi a redução das exportações de energia em 2011, apenas 7TWh em vez de 70TWh.


Artigo de Damian Carrington no The Guardian:
http://www.guardian.co.uk/environment/damian-carrington-blog/2012/may/23/energy-nuclear-power-germany

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Desplugando as Pessoas da Matrix

Estadunidenses, britânicos, e europeus ocidentais estão acostumados a pensar em si mesmos como os representantes da liberdade, democracia e moralidade no mundo. O Ocidente julga o resto do mundo como se fosse Deus e os outros bárbaros necessitando de punição, invasão e ocupação.

Como um adesivo de para-choque diz: "Seja bom para a América ou traremos a democracia para seu país."

Nos EUA, menininhas de seis anos de idade que se comportam mal na escola são algemadas, presas e acusadas de crimes. Nem mesmo Hitler e Stalin foram tão longe. (ver: 10 Disgusting Examples Of Very Young School Children Being Arrested, Handcuffed And Brutalized By Police).

A maioria dos artigos comparando EUA e China geralmente tendem para o lado propagandístico. Uma exceção é Ron Unz que escreveu um artigo fazendo uma comparação realista e no processo fornecendo uma oportunidade única de aprendizado. Não perca. (ver: China’s Rise, America’s Fall e Chinese Melamine and American Vioxx: A Comparison).

Ron Unz é um herói, e muito corajoso. Como George Orwell disse: "Em um tempo de engodo universal, dizer a verdade é um ato revolucionário."

É um ato ainda mais corajoso quando ninguém quer ouvir a verdade. Nas palavras de Frantz Fanon: "Às vezes as pessoas têm uma crença central que é muito forte. Quando são apresentadas com evidências contrarias a essa crença, a nova evidência não pode ser aceita. Criaria um sentimento que é extremamente desconfortável, chamada dissonância cognitiva. E porque é tão importante proteger a crença central, elas irão racionalizar, ignorar e até negar algo que não se ajuste com a crença central."

Ou, como é explicado a Neo no filme, "A Matrix é um sistema, Neo. Esse sistema é nosso inimigo. Mas quando você está dentro, você olha ao redor, o que você vê? Empresários, professores, advogados, carpinteiros. As próprias mentes das pessoas que estamos tentando salvar. Mas até conseguirmos, essas pessoas ainda são parte desse sistema, e isso faz delas nossas inimigas. Você tem que entender, a maioria dessas pessoas não estão prontas para serem desplugadas. E muitas delas estão tão acostumadas, tão dependentes do sistema, que vão lutar para protegê-lo. "

A maioria das pessoas que conheço pessoalmente, não estão dispostas a serem desplugadas. Eu suponho que os meus leitores estão, então aproveitem a oportunidade de continuarem a serem desplugados e leiam a comparação de Ron Unz entre EUA e China. Depois, façam o possível para desplugar outros.


Artigo de Paul Craig Roberts no Global Research:
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30416

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poderemos Evitar a Maior Catástrofe Ambiental do Planeta?

Estamos à beira da maior catástrofe ambiental do planeta, com possíveis consequências dramáticas para toda a humanidade e não é o aquecimento global, chama-se piscina de resfriamento para combustível exaurido (spent fuel cooling pool) do prédio do reator nuclear Nº 4 de Fukushima Dai-Ichi.

Vou colocar o problema de maneira simples. Em Fukushima Dai-Ichi, que possui seis reatores nucleares, estima-se um total de 11,138 elementos de combustível exaurido, quase todos em piscinas de resfriamento porque senão eles esquentam e explodem. Essa quantidade de combustível em uma estimativa grosseira pode acarretar em uma liberação 85 vezes maior que a quantidade de Césio-137 radioativo decorrente do acidente de Chernobil.

Normalmente essas piscinas estão isoladas do ambiente, no topo dos prédios dos reatores a 10 metros de altura, e a água está constantemente circulando para resfriá-las. O que mudou nessa situação foi que primeiro ocorreu o terremoto de magnitude 9 causando danos nas estruturas, segundo três prédios de reatores, onde estão as piscinas, tiveram explosões no topo destruindo suas coberturas e deixando as piscinas expostas e terceiro nos dias imediatamente após o tsunami foi injetado água do mar nos reatores para resfriá-los causando um aumento consideravel da corrosão nas estruturas.

O elo fraco dessa cadeia é o prédio do reator Nº 4 que sofreu as maiores avarias. Apenas na sua piscina tem um total de 1,535 barras de combustível, ou 460 toneladas de combustível nuclear. Se essa piscina vazar e as barras ficarem expostas, pense no tipo de acidente que até o momento ninguém nunca pensou que poderia ocorrer. Tóquio, que está a 250 quilômetros, teria que ser evacuada, teria avisos para moradores da costa oeste dos EUA e Canadá ficarem dentro de suas casas com as janelas fechadas.

A TEPCO, empresa que controla a usina, está tentando sanar o problema mas cientistas preveem 70% de chance de ocorrer um terremoto de magnitude 7 ainda este ano e 98% de chance nos próximos 3 anos que poderia fazer toda a estrutura da piscina desabar.

Porque então eles não tiram o combustível de lá? Como já falei acima isso é tão radioativo e perigoso que precisa ser transportado dentro da água com medidas extremas de segurança. E praticamente toda a infraestrutura que existia para isso foi destruída sendo a previsão para retirá-las de 3 anos. Bem dentro da probabilidade de 98%.

Para as pessoas que dizem que a crise de Fukushima passou e energia nuclear é segura deixo uma pergunta: Quem quer morar no Japão nos próximos três anos?

Referência:
Artigo de Washington's Blog no Global Research:
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30207

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aquecimento Global: Uma Abordagem Alternativa


A mudança climática existe e sempre existiu. O planeta não é estático, é um sistema dinâmico. A grande discussão, como argumentei no artigo “Mudança Climática Existe, Só Não É Causada Pelo Homem”[1], é se atualmente a mudança climática é causada pelo homem, devido ao aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ou se é um fenômeno natural. De qualquer forma, qualquer que seja a causa, precisamos entender o fenômeno e enfrentá-lo de forma lógica, pensando em quais soluções assegurarão um melhor futuro para o planeta e consequentemente à humanidade.

Um dos grandes problemas quando se fala em diminuir os efeitos das mudanças climáticas é que a grande maioria das pessoas olha o problema pelo ângulo errado e consequentemente soluções equivocadas são apresentadas. E isso é resultado de como a mídia trata o problema, sempre de forma sensacionalista focando as catástrofes, o chamado terrorismo midiático. O resultado é medo e histeria, nublando a cabeça das pessoas, impossibilitando um pensamento claro da situação.

Um bom exemplo desse comportamento é a frase de efeito que apareceu no trailer do filme “Uma Verdade Inconveniente”: De longe, o filme mais assustador que você jamais verá[2]. E isso não é o pior porque por volta de 2min e 22seg aparece uma explosão nuclear, dá para acreditar? Vejam o vídeo no You Tube[2] e confiram. Mas esse tipo de estratégia não é exclusividade de ninguém, é só assistirmos o vídeo de abertura da conferência climática da ONU, COP15 sediada em Copenhagen em 2009[3] que temos outro exemplo.

Não podemos esquecer que o objetivo não é reduzir os gases do efeito estufa por si só, mas melhorar a qualidade de vida da humanidade e o ambiente.

No filme “Uma Verdade Inconveniente”[4], Al Gore afirma que o nível dos oceanos vai aumentar 6 metros até 2100 devido aos efeitos do aquecimento global e apresenta uma projeção de computador onde uma parte considerável de Manhattan (Nova York) e outros locais no mundo ficarão debaixo d’água. Mas o próprio relatório do IPCC[5], que ele usa como uma de suas fontes, diz que o nível dos oceanos vai aumentar cerca de 30 centímetros (na pior das hipóteses 59 centímetros) até 2100 e não 6 metros.

E qual a melhor forma de lidar com esse problema? É só olharmos para os últimos 150 anos onde o nível dos oceanos subiu cerca de 30 centímetros e não foi uma catástrofe. Claro que convenientemente os principais meios de comunicação não se importaram em nos dizer. A humanidade se adaptou a essa mudança e o melhor exemplo é a Holanda que tem uma parte considerável de seu território abaixo do nível do mar e para lidar com a situação construiu vários e imensos diques evitando a inundação.

Outro “fato” que Al Gore nos mostra é que devido ao aquecimento global cidades que foram construídas acima da linha de mosquitos vão começar a ter problemas com doenças como malária que tem o mosquito como agente transmissor. E esse exemplo é interessante porque ele fala especificamente que isso está ocorrendo em Nairóbi. O fato é: Nairóbi tem problema devido à malária? Sim, sem dúvida. É devido ao aquecimento global? Não, definitivamente não. O Professor Paul Reiter[6] do Instituto Pasteur em Paris, nos lembra, que a malária já era um grande problema na época da fundação de Nairóbi em 1899 e também que é uma doença relacionada muito mais fortemente com a pobreza extrema do que o calor[7]. Aqui no Brasil sabemos muito bem disso porque convivemos com a malária, principalmente no norte do país onde temos temperaturas muito elevadas, mas a doença não atinge proporções epidémicas como em certos locais da África, ela está sob controle. Também não podemos esquecer que mosquitos não são exclusivos de regiões quentes, hoje em dia qualquer um que já assistiu algum programa na televisão sobre o ártico sabe que lá também tem muitos mosquitos. Então a melhor forma de combatermos esse problema é usar o dinheiro para diminuir a pobreza, principalmente com a construção de redes de saneamento básico e água potável.

A questão dos ursos polares. Quem não fica comovido com a animação mostrada em “Uma Verdade Inconveniente” de um urso polar nadando no meio do oceano sem nenhum sinal de terra ou gelo. Praticamente ninguém é contra a ideia de salvar os ursos polares, principalmente entre crianças. É um tema que ecoa profundamente nelas e em menor grau nos adultos. Mas resolveram omitir que ursos polares são exímios nadadores, eles podem nadar até 100 quilômetros por dia. E também que sua população está em crescimento. Em 1960 estimava-se que existiam 5 mil indivíduos, hoje estima-se que sejam 22 mil. E mais uma vez somos conduzidos a olhar o “problema” pelo ângulo errado. Se o Protocolo de Kioto fosse completamente implementado (todos os países do mundo assinassem e respeitassem) salvaríamos 1 urso por ano. Sabemos que o homem mata entre 300 a 500 ursos polares por ano então se realmente queremos ajudá-los a melhor forma não é cortando emissões de CO2, mas parando de atirar neles.[7]

Outro argumento muito usado é que o aumento da temperatura causará mais ondas de calor e consequentemente mais mortes. Mas o que deixam de falar é que em contrapartida várias pessoas deixarão de morrer de frio no inverno. Estima-se que até 2100, 400 mil pessoas a mais morreriam devido ao calor, mas em compensação 1.8 milhão não morreriam de frio.[7] Não podemos esquecer também do efeito da ilha de calor urbana. As grandes cidades do mundo colapsaram por causa dele? Não, elas se adaptaram. Não acho que o aumento do calor nos centros urbanos seja bom, mas 1 ou 2 graus a mais não causará o fim do mundo.

Também vemos muitas reportagens da destruição devastadora que os furacões estão causando hoje em dia. E tudo isso por que o aumento da temperatura dos oceanos fará surgir mais furacões e mais fortes. Apesar desse argumente ser questionável, não existe nenhum estudo científico que prove isso, se realmente for verdade a maior destruição, hoje, no litoral não é porque os furacões são mais fortes ou em maior quantidade, mas porque existem mais pessoas e construções nessas áreas de risco do que há 50 anos. É obvio que os danos causados por um furacão que passe em um local desses hoje serão muito maiores que se o mesmo furacão passasse no mesmo local 50 anos atrás.

Freeman Dyson, um dos mais renomados físicos vivos, disse que “‘Uma Verdade Inconveniente’ é uma grande obra de propaganda” e argumenta que os esforços políticos para reduzir as causas da mudança climática distraem as pessoas de outros problemas globais que deveriam ter prioridade.[7] Ele diz: “Não estou dizendo que o aquecimento não causa problemas, óbvio que causa. Obviamente, devemos tentar compreendê-lo. Eu estou dizendo que os problemas estão sendo grosseiramente exagerados. Eles tiram dinheiro e atenção de outros problemas que são muito mais urgentes e importantes. Pobreza, doenças infecciosas, educação pública e saúde pública. Sem mencionar a preservação de seres vivos na terra e nos oceanos.”[8]

Apesar de toda a discussão em cima do uso dos combustíveis fósseis a verdade é que só vamos parar de usá-los quando outras formas de energia forem tão baratas quanto ele. Por isso, um ponto chave, é que as soluções propostas precisam ser de tal forma a tornar isso uma realidade. Precisamos fazer com que seja mais barato não emitir CO2 do que emitir.

As soluções propostas atualmente de cortar emissões de CO2 vão custar caro e os efeitos práticos serão mínimos. Só para termos uma ideia de números vejamos o Protocolo de Kioto. Se tivesse sido cumprido, reduzir as emissões de CO2 para níveis abaixo dos de 1990 até 2012, teria custado 180 bilhões de dólares por ano e a redução na temperatura teria sido de 0.005°C em 2100.[7] Fica claro que ele é mais simbólico do que qualquer outa coisa. Outro exemplo é a proposta da União Europeia de cortar 20% das emissões de CO2 até 2020 incentivando as energias renováveis. Isso teria um custo de 250 bilhões por ano e a redução da temperatura seria de 0.5°C em 2100.[7]

Com essa quantidade de dinheiro de que estamos falando com certeza existem outras alternativas que podemos implementar com o foco de fazer a emissão de CO2 ser economicamente mais cara.

Um bom lugar para colocar parte desse dinheiro é na energia das ondas, uma área que os principais meios midiáticos praticamente ignoram e a tecnologia existe desde a década de 1970. A crise do petróleo do início dos anos 1970 fez o governo da Inglaterra investir em formas alternativas de energia. E uma das ideias que receberam financiamento era a do Professor Stephen Salter[9] da Universidade de Edimburgo. Ele inventou o chamado Salter’s Duck[7] (Pato de Salter), um dispositivo que converte a energia das ondas em eletricidade através da rotação de giroscópios localizados internamente. Ele inclusive criou vários protótipos e conseguiu uma eficiência de cerca de 90%. Mas como sabemos muitas vezes as coisas não fazem sentido, o programa das energias alternativas era operado pela Agência de Energia Atômica do Reino Unido (United Kingdom Atomic Energy Authority), e como foi antes dos acidentes de Three Mile Island e Chernobyl, a prioridade e o dinheiro, claro, foi para a energia atômica.

Outro dispositivo com o potencial de beneficiar enormemente a humanidade que merece mais atenção e aumento de investimentos é a Célula Fotoeletroquímica.[10] Muitas vezes chamada de fotossíntese artificial, porque gera hidrogênio a partir de luz e água. Basicamente é uma placa feita de um material especial, geralmente semicondutores, colocada dentro de um recipiente com água. E quando a luz, solar ou não, incide em cima da placa, começa a conversão da água em oxigênio e hidrogênio. O problema é conseguir fabricar essas placas com baixo custo ou encontrar materiais mais baratos para fabricá-la.

Outro boa ideia pode ser os chamados reatores nucleares de 4ª geração (como base de comparação o reator de Angra 3 é de 2ª geração). Com essa tecnologia, que só existe no papel por falta de investimentos, poderemos resolver dois problemas de uma só vez. O problema de gerar energia sem queimar combustíveis fósseis, óbvio e do lixo nuclear. Isso porque esses reatores poderão usar o próprio lixo nuclear, que acumulamos durante anos das usinas antigas, como combustível, diminuindo sua meia-vida para 20 anos (plutônio por exemplo tem meia vida de 24,200 anos) e assim depois de 100-150 anos a radioatividade será mínima.[7]

Essa forma de encarar o problema do aquecimento global está sendo proposta há alguns anos por algumas pessoas como Bjorn Lomborg que muitas vezes são ridicularizadas pela mídia. Ele foi o idealizador do Copenhagen Consensus em 2004, quando era diretor do Environmental Assessment Institute (Instituto de Avaliação Ambiental) da Dinamarca. O Copenhagen Consensus nasceu como uma conferência focada em priorizar os problemas mundiais e encontrar as melhores soluções disponíveis baseadas na análise custo-benefício. Na sua primeira conferência realizada, o painel de especialistas reuniu oito renomados economistas, incluindo quatro Prêmios Nobel.[11] Eles criaram uma lista com os principais problemas globais; doenças, subnutrição e água potável estavam no topo enquanto mudança climática acabou no final. Em 2006 foi criado o Copenhagen Consensus Center[12], tendo como diretor o próprio Bjorn Lomborg, sob os auspícios da Copenhagen Business School. O centro é um think tank com ênfase nas mesmas ideias da conferência: focar menos no que é “tecnicamente possível” e mais no que é realisticamente factível, ou seja, nós poderíamos parar de emitir CO2 agora, mas o impacto para as nações em desenvolvimento seria desastroso.

Como Lomborg diz: “Nós estamos amedrontando as crianças com exageros – elas acreditam que não terão um futuro e que o mundo vai acabar”. E ainda que “precisamos exigir que a mídia pare de assustar nossas crianças e à nós. Precisamos de um diálogo mais racional, mais construtivo e menos assustador.” [13]


Referências:

[1] Mudança Climática Existe, Só Não É Causada Pelo Homem por Francisco Roland Di Biase, Global Research.

[2] Trailer do filme “Uma Verdade Inconveniente”

[3] Vídeo de abertura da conferência climática da ONU COP15 sediada em Copenhagen em 2009:

[4] Uma Verdade Inconveniente de Davis Guggenheim

[5] Relatórios do IPCC

[6] Paul Reiter – Wikipedia

[7] Cool It (2010) do diretor Ondi Timoner com Bjorn Lomborg, baseado no livro de Bjorn Lomborg de mesmo nome.

[8] Wikipedia - Freeman Dyson

[9] Wikipedia – Stephen Salter

[10] Wikipedia – Photoelectrochemical cell

[11] Lista de participantes do Copenhagen Consensus de 2004

[12] Copenhagen Consensus Center

[13] Scared silly over climate change por Björn Lomborg no The Guardian


Artigo de Francisco Roland Di Biase

terça-feira, 6 de março de 2012

Os Perigos dos Alimentos Dietéticos

Existe uma grande controvérsia na indústria alimentícia que a maior parte da população não parece estar ciente. A discussão é sobre as consequências das mudanças na dieta que vem ocorrendo desde a introdução dos adoçantes artificiais nas nossas vidas, no começo dos anos 1980, e vem aumentando drasticamente e por vezes silenciosamente. No entanto, existe um grupo de médicos e cientistas que estão cientes destas consequências e publicaram extensivamente sobre o assunto. Infelizmente suas vozes vêm sendo, em grande parte, sufocadas pela indústria alimentícia.

Práticas éticas deveriam promover revisões periódicas sobre os efeitos colaterais que podem surgir, mas não é o caso com o aspartame. Apesar de existirem relatos de efeitos adversos a pergunta que vem a mente é: porque eles não ocasionaram uma revisão contínua pela agência responsável por sua aprovação? O FDA (Food and Drug Administration), a agência dos EUA responsável pelos alimentos e medicamentos, diz que monitora a literatura científica por indicações de possíveis problemas para a saúde, mas não estão cientes, no momento, de evidências críveis para reverter a aprovação do aspartame. Um bom exemplo de como eles atuam foi na ocasião da publicação de um estudo da Fundação Européia Ramazzini em que deram a seguinte declaração: “O FDA revisou o estudo ... e não apoia a conclusão que aspartame é um cancerígeno. Adicionalmente, esses dados não fornecem evidência para alterar a conclusão do FDA de que o uso de aspartame é seguro”.[1]

Aparentemente a atitude do FDA e da indústria é de que as únicas evidências científicas críveis vêm de agências governamentais ou das áreas de Pesquisa e Desenvolvimento das próprias corporações.

O que é o aspartame? É uma combinação de metanol e dois aminoácidos, fenilalanina e ácido aspártico também conhecido como aspartato. Em 1965, James Schlattler, um químico trabalhando na G. D. Searle descobriu a substância por acidente enquanto trabalhava em uma droga para outro propósito médico. Essa substância era muitas vezes mais doce que o açúcar, mas não continha as calorias deste.

Praticamente toda a indústria financiou estudos que subtraíam qualquer efeito adverso dos metabólitos do aspartame que são substâncias geradas depois que o organismo o metaboliza. Esses “amigáveis” estudos clínicos sobre a toxidade do aspartame geralmente são de autores com estreitas relações com as empresas produtoras. Por outro lado, quase sem exceções, estudos independentes apontam consequências sérias e prejudiciais como resultado do consumo de aspartame.

Testes iniciais foram conduzidos em 1967 quando o Dr. Harold Waisman, um bioquímico na Universidade de Wisconsin, conduziu testes de inocuidade em macacos infantes para a Searle Company. Dos sete macacos que estavam sendo alimentados com aspartame misturado no leite, um morreu e cinco tiveram crise tônico-clônica (convulsões generalizadas). O estudo foi publicado no artigo “52 Week Oral Toxicity Study in the Infant Monkey[2] (Estudo de 52 Semanas de Toxidade Oral em Macacos Infantes).

Em 21 de janeiro de 1981, um dia depois que Ronald Reagan assumiu a presidência dos EUA, a Searle fez novo pedido de aprovação ao FDA para o uso de aspartame em adoçantes de alimentos. O novo delegado de Reagan para a FDA, Arthur Hayes Hull Jr., então nomeou uma comissão científica de cinco pessoas para reavaliar a decisão da comissão de inquérito do próprio FDA. Logo ficou claro que a nova comissão iria manter o banimento por uma decisão de 3 votos a 2, fazendo Hull nomear um sexto membro gerando um impasse na votação. O próprio Hull quebrou o impasse decidindo a favor do aspartame. Depois de algum tempo ele deixou o FDA devido a alegações de improbidade servindo brevemente como reitor da Faculdade de Medicina de Nova York para então ser contratado pela Burston-Marsteller, a principal empresa de relações públicas tanto da Monsanto quanto da G. D. Searle. Desde aquela época ele nunca mais voltou a falar publicamente sobre aspartame.[3]

O FDA afirma que é seguro e por isso milhões de pessoas bebem, comem e escovam seus dentes com substâncias que contém aspartame. Além disso, muitos medicamentos também contém aspartame como relatado por um farmacêutico de Massachusetts que compilou uma lista de cerca de 150 medicamentos com aspartame, sem incluir genéricos, sendo que vários são destinados a crianças.

Em 23 de Abril de 2007, o médico Morando Soffritti foi honrado com o terceiro prêmio Irving J. Selikoff do Collegium Ramazzini na Faculdade de Medicina Mount Sinai em Nova York. O Dr. Soffritti foi reconhecido por suas “excepcionais contribuições na identificação de cancerígenos industriais e ambientais e sua promoção de pesquisa científica independente.”[4]

Estudos feito pelo grupo Ramazzini-Soffritti[5][6] na Itália, publicado pelo National Institute of Environmental Health Sciences em 2005 e por P. Humphries, E. Pretorius e H. Naudé da Universidade de Pretoria na África do Sul, publicado pelo European Journal of Clinical Nutrition[7] em 2008 , mostram que aspartame é uma potente neurotoxina e disruptor endócrino. No primeiro estudo conduzido pelo Centro de Pesquisa de Cancer Cesari Maltoni da Fundação Européia Ramazzini foi demostrado que o aspartame é um agente cancerígeno multipotente quando várias doses são administradas com o alimento, por toda a vida de ratos iniciando em 8 semanas de idade. No segundo estudo os resultados reforçaram as conclusões do primeiro estudo e quando começaram a expor os ratos no período fetal, os efeitos cancerígenos aumentaram.

Alguns dos sintomas que foram relatados incluem: impotência, moleza, formigamento nos nervos, comportamento agressivo, raiva espontânea, ansiedade, agravamento de fobias, depressão, crise tônico-clônica (convulsões generalizadas) e uma combinação de sintomas que aparentam um ataque cardíaco.

No lado pro-aspartame, cientistas de companhias bioquímicas relatam que certas frutas contém mais metanol que aspartame. Embora esse fato possa ser verdade, o que eles não dizem é que álcool etílico, o antídoto para metanol, também é encontrado em frutas. E essa é a diferença crítica e essencial como relatado por médicos, cientistas e químicos independentes. Quando consumido sozinho, metanol é extremamente perigoso e pode causar cegueira e até morte.

O estudo Projected Aspartame Intake: Daily Ingestion of Aspartic Acid, Phenylalanine, and Methanol[8] (Consumo de Aspartame Projetado: Ingestão Diária de Ácido Aspártico, Fenilalanina e Metanol) de Roberta Roak-Foltz e Gilbert A. Leveille da General Foods Corporation descobriu que um adulto comum poderá ingerir aproximadamente 87 mg de metanol diariamente se utilizar adoçantes artificiais em sua comida. Como o estudo foi conduzido no final da década de 1970, provavelmente hoje em dia, a quantidade deve ter aumentado substancialmente.

Tanto a revista “Flying Safety” (Voando com Segurança) da Força Aérea dos EUA quanto a “Navy Physiology” (Fisiologia da Marinha) da Marinha dos EUA publicaram artigos alertando sobre os perigos do aspartame incluindo efeitos prejudiciais cumulativos do metanol e outras reações. Os artigos apontam que a ingestão de aspartame pode fazer os pilotos ficarem mais propensos a convulsões e vertigem.

Outro estudo sobre aspartame intitulado “Formaldehyde Derived From Dietary Aspartame Tissue Components In Vivo[9] (Formaldeído Derivado de Componentes de Tecidos de Dieta de Aspartame em Vivo) por C. Trocho et al. conduzido pelo Departamento de Biologia e Bioquímica da Universidade de Barcelona claramente mostra que aspartame, marcado com o isótopo carbono 14, se transforma em formaldeído nos corpos de espécimes vivos. Mais tarde quando eles foram examinados, o formaldeído marcado foi encontrado em vários órgãos vitais mostrando conclusivamente que aspartame se converte em formaldeído e que muitos dos sintomas relatados por vítimas de intoxicação por aspartame estão associados com os efeitos cumulativos de envenenamento por formaldeído.

Formaldeído (H2CO) cujo nome oficial é IUPAC metanal é um gás sem cor, tóxico, potencialmente cancerígeno e solúvel em água com um odor sufocante, geralmente derivado de metanol por oxidação.[10]

A Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (IARC - International Agency for Research on Cancer), uma organização intergovernamental que faz parte da Organização Mundial da Saúde classifica o formaldeído como cancerígeno do grupo 1.

Outra substância presente no aspartame que preocupa é a fenilalanina que tende a inibir o processo de serotonina no corpo humano sendo importante examinar o desequilíbrio fenilalanina/serotonina.

A professora Michele Ernandes e colegas da Universidade de Palermo no artigo “Aztec Cannibalism and Maize Consumption: The Serotonin Deficiency Link[11] (Canibalismo Asteca e Consumo de Milho: A Conexão da Deficiência de Serotonina) afirmam que a deficiência de serotonina implica em várias consequências comportamentais como tendência para comportamento agressivo, aumento da competição intraespecífica, aumento de pensamentos exotéricos e fanatismo religioso.

A Havard School of Public Health no artigo “The Nutrition Source - Sugary Drinks or Diet Drinks: What's the Best Choice?[12] (A Fonte da Nutrição – Bebidas Açucaradas ou Bebidas Diet: Qual a Melhor Escolha?) reportou que no estudo “A role for sweet taste: calorie predictive relations in energy regulation by rats[13] (Uma função para o sabor doce: relações preditivas calóricas em regulação de energia em ratos) da Universidade de Purdue, os pesquisadores Susan E. Swithers e Terry L. Davidson demostraram que ratos alimentados com comida adoçada com sacarina acumularam mais calorias e ganharam mais peso do que ratos alimentados com comida adoçada com açúcar. E no estudoFueling the obesity epidemic? Artificially sweetened beverage use and long-term weight gain[14] (Alimentando a epidemia da obesidade? Uso de bebidas adoçadas artificialmente e ganho de peso a longo prazo) feito por Sharon P. Fowler et al. durante oito anos conduzido pelo Departamento de Medicina (Divisão de Epidemiologia Clínica) do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas descobriu que quase 3,700 residentes de San Antonio, Texas que bebiam em média três ou mais bebidas com adoçantes artificiais por dia tinham maior probabilidade de ganhar peso em um período de oito anos do que aqueles que não bebiam bebidas com adoçantes artificiais. Apesar de essas descobertas serem sugestivas elas não provam que bebidas lights com adoçante artificial causam aumento de peso.

Mais uma explicação razoável poderia ser que o baixo pH  (cerca de 3) de bebidas lights fazem com que o corpo retenha fluidos para tentar rebalancear o pH normal do corpo humano de 6.5. Sendo assim, poderíamos nos abster durante alguns meses de todos os produtos que contém aspartame e como resultado poderemos nos sentir uma nova pessoa ou talvez nossos companheiros sintam que somos uma nova pessoa. Caso contrário, não perderemos nada a não ser, talvez, uns quilos.

A FDA como a autoridade final, nos EUA, para controlar a introdução aditivos na cadeia alimentar exerceu cuidado extremo, como deve ser feito, desde a metade dos anos 1960 até 1983, quando dinheiro e política falaram mais alto que bom senso, ciência e ética.


Referências:

Diet Drinks: America's Passion for Poison por Charles Foerster.

Biblioteca do NutraMancer City do Instituto Nacional de Ciências, Direito e Políticas Públicas (National Institute of Science, Law, and Public Policy) de Washington, D.C.

[1] FDA Statement on European Aspartame Study - CFSAN/Office of Food Additive Safety. 20 de Abril de 2007.

[2] SC-18862 - 52 WEEK ORAL TOXICITY STUDY IN THE INFANT MONKEY por K. S. RAO (Searle Laboratories), R. G. Mc Connell (Searle Laboratories) e H. A. Waisman (Centro Médico da Universidade de Wisconsin).

[3] Reportado pelo Instituto Nacional de Ciências, Direito e Políticas Públicas (National Institute of Science, Law, and Public Policy) de Washington, D.C.

 [4] Perfil do Dr. Soffritti Morando no Collegium Ramazzini.

[5] First Experimental Demonstration of the Multipotential Carcinogenic Effects of Aspartame Administered in the Feed to Sprague-Dawley Rats por Morando Soffritti, Fiorella Belpoggi, Davide Degli Esposti, Luca Lambertini, Eva Tibaldi e Anna Rigano. Centro de Pesquisa de Câncer Cesari Maltoni da Fundação Européia Ramazzini.

[6] Life-Span Exposure to Low Doses of Aspartame Beginning during Prenatal Life Increases Cancer Effects in Rats por Morando Soffritti, Fiorella Belpoggi, Eva Tibaldi, Davide Degli Esposti e Michelina Lauriola. Centro de Pesquisa de Câncer Cesari Maltoni da Fundação Européia Ramazzini.

[7] Direct and indirect cellular effects of aspartame on the brain por P. Humphries, E. Pretorius e H. Naudé. European Journal of Clinical Nutrition (2008) 62, págs 451-462.

[8] Projected Aspartame Intake: Daily Ingestion of Aspartic Acid,
Phenylalanine, and Methanol por Roberta Roak-Foltz e Gilbert A. Leveille.
General Foods Corporation, White Plains, New York.

[9] Formaldehyde Derived From Dietary Aspartame Tissue Components In Vivo por C. Trocho, R. Pardo, I. Rafecas, J. Virgili, X. Remesar, J.A. Fernández-López e M. Alemany. Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Faculdade de Biologia da Universidade de Barcelona.

[10] Metanal - Wikipédia

[11] Aztec Cannibalism and Maize Consumption: The Serotonin Deficiency Link por Michele Ernandes; Rita Cedrini; Marco Giammanco; Maurizio La Guardia; Andrea Milazzo. Publicado em Mankind Quarterly; volume 43, nº 1 (Fall 2002); Social Science Module.

[12] The Nutrition Source - Sugary Drinks or Diet Drinks: What's the Best Choice? – Harvard School of Public Health.

[13] A role for sweet taste: calorie predictive relations in energy regulation by rats por Susan E. Swithers e Terry L. Davidson. Centro de Pesquisa Ingestiva Comportamental do Departamento de Ciências Psicológicas da Universidade de Purdue (Department of Psychological Sciences, Ingestive Behavior Research Center, Purdue University)

[14] Fueling the obesity epidemic? Artificially sweetened beverage use and long-term weight gain. Sharon P. Fowler, Ken Williams, Roy G. Resendez, Kelly J. Hunt, Hele P. Hazuda e Michael P. Stern. Divisão de Epidemiologia Clínica do Departamento de Medicina do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas (Department of Medicine, Division of Clinical Epidemiology, The University of Texas Health Science Center at San Antonio), San Antonio, Texas.


Artigo de Francisco Roland Di Biase

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Sangue no Celular

Minerais usados para fabricar telefones celulares (e outros eletrônicos) estão sendo usados para financiar conflitos armados na República Democrática do Congo (RDC). Estima-se que por volta de 5 milhões de pessoas já morreram devido aos conflitos financiados pelos minerais da indústria de eletrônicos.

Um dos principais materiais usado nos equipamentos eletrônicos é o tantalum, usado para fazer capacitores, onde a RDC, em 2009, correspondia com 13% da produção mundial, ou seja, 87 toneladas*. Ele é extraído juntamente do niobium do minério colombotantalite, também conhecido como coltan. Outro minério também extraído na RDC é a cassiterite que é a principal fonte do elemento estanho.

Os problemas começam a aparecer no próprio governo da RDC onde altos funcionários do governo ligados ao Ministério de Minas também são donos de empresas de mineração gerando conflitos de interesse. Mas apesar disso esses não são os chamados minérios de sangue que são extraídos de zonas de conflitos.

Um desses locais é Walikale na província de Kivu onde se encontra a mina de Bisie que oficialmente é controlada pelo FARDC, o exército nacional. Mas na verdade quem controla é a 85º brigada que se tornou independente do exército nacional. Todos os dias 600 carregadores saem da floresta com 30 toneladas de minerais para serem comercializados.

A relação do exército e/ou grupos armados com esses minérios é através de cobrança de "impostos". Eles permitem que a população local faça todo o trabalho duro e depois simplesmente coletam os "impostos" desses trabalhadores. Esses “impostos” são tão abusivos fazendo com que as pessoas ganhem apenas dinheiro suficiente para comprar comida, e muitas vezes nem para isso impedindo-as de sair devido as dívidas.

As minas são tão precárias que lembram a época de quando o rei da Bélgica, Leopoldo II, era dono do Congo, isso mesmo, o Congo pertencia a uma pessoa, não era uma colônia como as outras. Praticamente não existem máquinas apenas pessoas com pás, picaretas, marretas e cinzéis escavando buracos em montanhas que frequentemente desabam matando muitas pessoas.

Estimasse que apenas em Bisie produz-se cerca de 70 milhões de dólares em minerais por ano. E existem centenas de minas como esta no Congo.

A Nokia diz que tomou ciência da situação em 2001 mas até hoje, mais de 10 anos se passaram, e a única respostas deles é que estão desenvolvendo mecanismos para rastrear esses minerais, ou seja, não tomaram nenhuma medida prática para melhorar a situação. E como ela é a líder mundial em telefones celulares, um em cada três no mundo é Nokia, se eles estão envolvidos com minerais de sangue provavelmente todas as outras fabricantes também estarão.

Um porta-voz da Nokia diz que não é possível rastrear os minerais que são usados nos componentes eletrônicos de seus celulares o que não é inteiramente verdade. Não é possível rastrear depois de transformados em metal, mas antes desse processo o cientista Dr. Frank Melcher junto com alguns de seus colegas do Instituto Federal de Recursos Naturais e Ciência Geológica em Hanôver na Alemanha desenvolveram um método que torna perfeitamente possível através de uma análise do volume da composição do mineral descobrir sua idade geológica e consequentemente sua origem, e isso seria o equivalente a impressão digital do mineral. Em cima disso existem diversas ONGs, como a Global Witness, que dizem que uma maneira simples e barata seria simplesmente as fabricantes de eletrônicos tornarem suas cadeias de suprimentos de conhecimento público, publicando nas suas páginas na internet, e exigir que seus fornecedores de componentes eletrônicos façam o mesmo ou simplesmente garantindo que seus equipamentos eletrônicos não sejam feitos com minerais de zonas de conflito como sugere John Prendergast, que foi um assessor no governo do presidente Clinton.

A melhor solução é nós, os consumidores, fazer pressão, exigindo que essas corporações certifiquem que seus produtos não são feitos com minerais de zonas de conflito, boicotando as empresas que não estiverem dispostas a nos dar essas garantias.



Referências:

* Wikipedia: Coltan

Documentário de 2010, Blood in the Mobile de Frank Piasecki Poulsen.

Trailer:




Artigo de Francisco Roland Di Biase.