quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Rede de Controle Corporativo Global

Um estudo de grande importância, mostra pela primeira vez de forma tão abrangente como se estrutura o poder global das empresas transnacionais. Frente à crise mundial, este trabalho constitui uma grande ajuda, pois mostra a densidade das participações cruzadas entre as empresas, que permite que um núcleo muito pequeno (na ordem de centenas) exerça imenso controle. Por outro lado, os interesses estão tão entrelaçados que os desequilíbrios se propagam instantaneamente, representando risco sistêmico.

Fica assim claro como se propagou (efeito dominó) a crise financeira, já que a maioria destas mega-empresas está na área da intermediação financeira. A visão do poder político das Empresas Trans-Nacionais adquire também uma base muito mais firme, ao se constatar que na cadeia de empresas que controlam empresas que por sua vez controlam outras empresas, o que todos "sentimos" ao ver os comportamentos da mega-empresas torna-se cientificamente evidente. O artigo tem 9 páginas, e outras 25 de anexos metodológicos. Está disponível online gratuitamente,em 

http://arxiv.org/PS_cache/arxiv/pdf/1107/1107.5728v2.pdf.

Um excelente resumo das principais implicações pode ser encontrado no New Scientist de 22/10/2011 que foi traduzido e publicado no Carta Maior:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18798

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O Fenômeno Finlandês

Existe um país onde os estudantes começam a estudar em uma idade mais avançada, assistem a menos aulas, tem três meses de férias de verão, passam menos tempo na escola por dia, raramente tem dever de casa e raramente são avaliados.

Existe um país onde professores são profissionais respeitados e rapidamente recebem um cargo, são raramente avaliados, ganham bons salários e tem um sindicato forte.

Existe um país onde as escolas recebem fundos modestos, desenvolvem seus próprios currículos, pesquisam e adotam novas tecnologias, não tem diferenças de rendimento entre os alunos e não deixam nenhuma criança para trás.

Esse país é classificado no topo da lista por quase todas as medições.

Bem vindo à Finlândia.

São com essas sentenças que começa o documentário “The Finland Phenomenon: Inside the World’s Most Surprising School System” (O Fenômeno Finlandês: Dentro do Mais Surpreendente Sistema Escolar no Mundo) de Robert A. Compton, dirigido por Sean T. Faust e apresentado pelo Dr. Tony Wagner. O filme mostra o sistema de ensino na Finlândia, um país que saiu da segunda guerra mundial com uma economia agrária e hoje é líder em desenvolvimento tecnológico e classificado pela ONU em 1º lugar em matéria de educação no mundo.

A grande diferença é que em vez dos professores ensinarem um conteúdo para os alunos as crianças são ensinadas a pensar por elas mesmas incentivando a criatividade, a curiosidade e a imaginação. Elas são estimuladas a resolver problemas, pesquisando e analisando as informações sozinhas, ter clareza de pensamento e fazer críticas.
Um bom exemplo disso é quando ensinam o teorema de Pitágoras, em vez de explicar para os alunos o professor os conduz para que descubram o teorema por si mesmos.

No decorrer das aulas procura-se que 60% do tempo seja dos alunos, para discutir o assunto, e os 40% restantes do professor deixando os estudantes mais livres para chegarem as suas próprias conclusões. Além disso, também permite que os professores dediquem mais atenção para as crianças com maior dificuldade e assim não permitindo que ninguém fique para trás. A necessidade de testes e provas para avaliar o desempenho do aluno é quase inexistente assim como não existem turmas especiais, todos os alunos recebem a mesma qualidade de ensino, não importando onde estudem, sua condição social, raça, religião etc.

Todos os professores, até os de 1º grau, precisam ter mestrado para exercer a profissão significando pelo menos 5 anos de estudos, 3 para o bacharelado mais 2 para o mestrado e mesmo assim apenas 10% dos candidatos são absorvidos pelo sistema de ensino que diga-se de passagem é público.

Os candidatos que conseguem se tornar professores primeiro viram “professores- estudantes” onde terão que assistir as aulas, junto com os alunos normais, ministradas pelos mais experientes “professores-mestres”. Depois de cada aula os professores-estudantes discutem com os professores-mestres suas observações sobre o método de ensino, o que fariam diferente e assim por diante. Isso significa que os professores estão constantemente aprendendo e aperfeiçoando-se com o “feedback” dos demais. É um sistema dinâmico onde o professor não é um profissional solitário diferente da maioria dos outros países.

É um sistema inteiramente baseado na confiança de que é realizado um trabalho de qualidade pelas instituições educacionais e professores e um bom exemplo disso são os currículos. O Ministério da Educação da Finlândia tem um currículo básico, mas confia nos municípios e suas escolas para adequá-los as necessidades locais, ou seja, as escolas criam seus próprios currículos em cima do básico. Por sua vez as escolas confiam nos professores para ensinar da maneira que acham melhor não havendo a necessidade de avaliá-los.

O surpreendente é que o sistema foi implantado em apenas 25 anos. Na década de 1970 quando a força de trabalho começou a diminuir, o governo tomou a decisão que a base do desenvolvimento do país não iria mais ser a produção industrial, mas a capacidade de desenvolvimento intelectual da população. Isso levou a Finlândia, hoje em dia, ter um orçamento de 3,5% do PIB para Pesquisa e Desenvolvimento, o 3º maior do mundo e ser o país com a maior taxa per capita de pesquisadores no mundo.

Como Einstein uma vez disse “A formulação do problema é mais importante que a solução”.



Artigo de Francisco Roland Di Biase


Trailer do filme:

As Maiores Realizações de Steve Jobs

Com a morte de Steve Jobs, perdemos um dos maiores inovadores tecnológicos de nosso tempo.

Jobs não era apenas um empresário astuto, ele foi um visionário que fez de sua missão humanizar a computação pessoal, reescrevendo as regras de design para experiência do usuário, hardware e software. Suas ações reverberaram através de várias indústrias: Ele abalou o negócio da música, arrastou a operadoras de telefonia móvel para o ringue de boxe, mudou a forma como software e hardware são vendidos e alterou para sempre a linguagem das interfaces de computador. Ao longo do caminho, ele construiu a Apple como uma das empresas mais valiosas do mundo.

Não foi pouco. Ele fará falta.

Artigo de Michael Calore na Wired:
http://www.wired.com/gadgetlab/2011/10/steve-jobs-greatest-achievements/?mbid=wir_newsltr