sexta-feira, 13 de abril de 2012

Poderemos Evitar a Maior Catástrofe Ambiental do Planeta?

Estamos à beira da maior catástrofe ambiental do planeta, com possíveis consequências dramáticas para toda a humanidade e não é o aquecimento global, chama-se piscina de resfriamento para combustível exaurido (spent fuel cooling pool) do prédio do reator nuclear Nº 4 de Fukushima Dai-Ichi.

Vou colocar o problema de maneira simples. Em Fukushima Dai-Ichi, que possui seis reatores nucleares, estima-se um total de 11,138 elementos de combustível exaurido, quase todos em piscinas de resfriamento porque senão eles esquentam e explodem. Essa quantidade de combustível em uma estimativa grosseira pode acarretar em uma liberação 85 vezes maior que a quantidade de Césio-137 radioativo decorrente do acidente de Chernobil.

Normalmente essas piscinas estão isoladas do ambiente, no topo dos prédios dos reatores a 10 metros de altura, e a água está constantemente circulando para resfriá-las. O que mudou nessa situação foi que primeiro ocorreu o terremoto de magnitude 9 causando danos nas estruturas, segundo três prédios de reatores, onde estão as piscinas, tiveram explosões no topo destruindo suas coberturas e deixando as piscinas expostas e terceiro nos dias imediatamente após o tsunami foi injetado água do mar nos reatores para resfriá-los causando um aumento consideravel da corrosão nas estruturas.

O elo fraco dessa cadeia é o prédio do reator Nº 4 que sofreu as maiores avarias. Apenas na sua piscina tem um total de 1,535 barras de combustível, ou 460 toneladas de combustível nuclear. Se essa piscina vazar e as barras ficarem expostas, pense no tipo de acidente que até o momento ninguém nunca pensou que poderia ocorrer. Tóquio, que está a 250 quilômetros, teria que ser evacuada, teria avisos para moradores da costa oeste dos EUA e Canadá ficarem dentro de suas casas com as janelas fechadas.

A TEPCO, empresa que controla a usina, está tentando sanar o problema mas cientistas preveem 70% de chance de ocorrer um terremoto de magnitude 7 ainda este ano e 98% de chance nos próximos 3 anos que poderia fazer toda a estrutura da piscina desabar.

Porque então eles não tiram o combustível de lá? Como já falei acima isso é tão radioativo e perigoso que precisa ser transportado dentro da água com medidas extremas de segurança. E praticamente toda a infraestrutura que existia para isso foi destruída sendo a previsão para retirá-las de 3 anos. Bem dentro da probabilidade de 98%.

Para as pessoas que dizem que a crise de Fukushima passou e energia nuclear é segura deixo uma pergunta: Quem quer morar no Japão nos próximos três anos?

Referência:
Artigo de Washington's Blog no Global Research:
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=30207

terça-feira, 3 de abril de 2012

Aquecimento Global: Uma Abordagem Alternativa


A mudança climática existe e sempre existiu. O planeta não é estático, é um sistema dinâmico. A grande discussão, como argumentei no artigo “Mudança Climática Existe, Só Não É Causada Pelo Homem”[1], é se atualmente a mudança climática é causada pelo homem, devido ao aumento da concentração de CO2 na atmosfera, ou se é um fenômeno natural. De qualquer forma, qualquer que seja a causa, precisamos entender o fenômeno e enfrentá-lo de forma lógica, pensando em quais soluções assegurarão um melhor futuro para o planeta e consequentemente à humanidade.

Um dos grandes problemas quando se fala em diminuir os efeitos das mudanças climáticas é que a grande maioria das pessoas olha o problema pelo ângulo errado e consequentemente soluções equivocadas são apresentadas. E isso é resultado de como a mídia trata o problema, sempre de forma sensacionalista focando as catástrofes, o chamado terrorismo midiático. O resultado é medo e histeria, nublando a cabeça das pessoas, impossibilitando um pensamento claro da situação.

Um bom exemplo desse comportamento é a frase de efeito que apareceu no trailer do filme “Uma Verdade Inconveniente”: De longe, o filme mais assustador que você jamais verá[2]. E isso não é o pior porque por volta de 2min e 22seg aparece uma explosão nuclear, dá para acreditar? Vejam o vídeo no You Tube[2] e confiram. Mas esse tipo de estratégia não é exclusividade de ninguém, é só assistirmos o vídeo de abertura da conferência climática da ONU, COP15 sediada em Copenhagen em 2009[3] que temos outro exemplo.

Não podemos esquecer que o objetivo não é reduzir os gases do efeito estufa por si só, mas melhorar a qualidade de vida da humanidade e o ambiente.

No filme “Uma Verdade Inconveniente”[4], Al Gore afirma que o nível dos oceanos vai aumentar 6 metros até 2100 devido aos efeitos do aquecimento global e apresenta uma projeção de computador onde uma parte considerável de Manhattan (Nova York) e outros locais no mundo ficarão debaixo d’água. Mas o próprio relatório do IPCC[5], que ele usa como uma de suas fontes, diz que o nível dos oceanos vai aumentar cerca de 30 centímetros (na pior das hipóteses 59 centímetros) até 2100 e não 6 metros.

E qual a melhor forma de lidar com esse problema? É só olharmos para os últimos 150 anos onde o nível dos oceanos subiu cerca de 30 centímetros e não foi uma catástrofe. Claro que convenientemente os principais meios de comunicação não se importaram em nos dizer. A humanidade se adaptou a essa mudança e o melhor exemplo é a Holanda que tem uma parte considerável de seu território abaixo do nível do mar e para lidar com a situação construiu vários e imensos diques evitando a inundação.

Outro “fato” que Al Gore nos mostra é que devido ao aquecimento global cidades que foram construídas acima da linha de mosquitos vão começar a ter problemas com doenças como malária que tem o mosquito como agente transmissor. E esse exemplo é interessante porque ele fala especificamente que isso está ocorrendo em Nairóbi. O fato é: Nairóbi tem problema devido à malária? Sim, sem dúvida. É devido ao aquecimento global? Não, definitivamente não. O Professor Paul Reiter[6] do Instituto Pasteur em Paris, nos lembra, que a malária já era um grande problema na época da fundação de Nairóbi em 1899 e também que é uma doença relacionada muito mais fortemente com a pobreza extrema do que o calor[7]. Aqui no Brasil sabemos muito bem disso porque convivemos com a malária, principalmente no norte do país onde temos temperaturas muito elevadas, mas a doença não atinge proporções epidémicas como em certos locais da África, ela está sob controle. Também não podemos esquecer que mosquitos não são exclusivos de regiões quentes, hoje em dia qualquer um que já assistiu algum programa na televisão sobre o ártico sabe que lá também tem muitos mosquitos. Então a melhor forma de combatermos esse problema é usar o dinheiro para diminuir a pobreza, principalmente com a construção de redes de saneamento básico e água potável.

A questão dos ursos polares. Quem não fica comovido com a animação mostrada em “Uma Verdade Inconveniente” de um urso polar nadando no meio do oceano sem nenhum sinal de terra ou gelo. Praticamente ninguém é contra a ideia de salvar os ursos polares, principalmente entre crianças. É um tema que ecoa profundamente nelas e em menor grau nos adultos. Mas resolveram omitir que ursos polares são exímios nadadores, eles podem nadar até 100 quilômetros por dia. E também que sua população está em crescimento. Em 1960 estimava-se que existiam 5 mil indivíduos, hoje estima-se que sejam 22 mil. E mais uma vez somos conduzidos a olhar o “problema” pelo ângulo errado. Se o Protocolo de Kioto fosse completamente implementado (todos os países do mundo assinassem e respeitassem) salvaríamos 1 urso por ano. Sabemos que o homem mata entre 300 a 500 ursos polares por ano então se realmente queremos ajudá-los a melhor forma não é cortando emissões de CO2, mas parando de atirar neles.[7]

Outro argumento muito usado é que o aumento da temperatura causará mais ondas de calor e consequentemente mais mortes. Mas o que deixam de falar é que em contrapartida várias pessoas deixarão de morrer de frio no inverno. Estima-se que até 2100, 400 mil pessoas a mais morreriam devido ao calor, mas em compensação 1.8 milhão não morreriam de frio.[7] Não podemos esquecer também do efeito da ilha de calor urbana. As grandes cidades do mundo colapsaram por causa dele? Não, elas se adaptaram. Não acho que o aumento do calor nos centros urbanos seja bom, mas 1 ou 2 graus a mais não causará o fim do mundo.

Também vemos muitas reportagens da destruição devastadora que os furacões estão causando hoje em dia. E tudo isso por que o aumento da temperatura dos oceanos fará surgir mais furacões e mais fortes. Apesar desse argumente ser questionável, não existe nenhum estudo científico que prove isso, se realmente for verdade a maior destruição, hoje, no litoral não é porque os furacões são mais fortes ou em maior quantidade, mas porque existem mais pessoas e construções nessas áreas de risco do que há 50 anos. É obvio que os danos causados por um furacão que passe em um local desses hoje serão muito maiores que se o mesmo furacão passasse no mesmo local 50 anos atrás.

Freeman Dyson, um dos mais renomados físicos vivos, disse que “‘Uma Verdade Inconveniente’ é uma grande obra de propaganda” e argumenta que os esforços políticos para reduzir as causas da mudança climática distraem as pessoas de outros problemas globais que deveriam ter prioridade.[7] Ele diz: “Não estou dizendo que o aquecimento não causa problemas, óbvio que causa. Obviamente, devemos tentar compreendê-lo. Eu estou dizendo que os problemas estão sendo grosseiramente exagerados. Eles tiram dinheiro e atenção de outros problemas que são muito mais urgentes e importantes. Pobreza, doenças infecciosas, educação pública e saúde pública. Sem mencionar a preservação de seres vivos na terra e nos oceanos.”[8]

Apesar de toda a discussão em cima do uso dos combustíveis fósseis a verdade é que só vamos parar de usá-los quando outras formas de energia forem tão baratas quanto ele. Por isso, um ponto chave, é que as soluções propostas precisam ser de tal forma a tornar isso uma realidade. Precisamos fazer com que seja mais barato não emitir CO2 do que emitir.

As soluções propostas atualmente de cortar emissões de CO2 vão custar caro e os efeitos práticos serão mínimos. Só para termos uma ideia de números vejamos o Protocolo de Kioto. Se tivesse sido cumprido, reduzir as emissões de CO2 para níveis abaixo dos de 1990 até 2012, teria custado 180 bilhões de dólares por ano e a redução na temperatura teria sido de 0.005°C em 2100.[7] Fica claro que ele é mais simbólico do que qualquer outa coisa. Outro exemplo é a proposta da União Europeia de cortar 20% das emissões de CO2 até 2020 incentivando as energias renováveis. Isso teria um custo de 250 bilhões por ano e a redução da temperatura seria de 0.5°C em 2100.[7]

Com essa quantidade de dinheiro de que estamos falando com certeza existem outras alternativas que podemos implementar com o foco de fazer a emissão de CO2 ser economicamente mais cara.

Um bom lugar para colocar parte desse dinheiro é na energia das ondas, uma área que os principais meios midiáticos praticamente ignoram e a tecnologia existe desde a década de 1970. A crise do petróleo do início dos anos 1970 fez o governo da Inglaterra investir em formas alternativas de energia. E uma das ideias que receberam financiamento era a do Professor Stephen Salter[9] da Universidade de Edimburgo. Ele inventou o chamado Salter’s Duck[7] (Pato de Salter), um dispositivo que converte a energia das ondas em eletricidade através da rotação de giroscópios localizados internamente. Ele inclusive criou vários protótipos e conseguiu uma eficiência de cerca de 90%. Mas como sabemos muitas vezes as coisas não fazem sentido, o programa das energias alternativas era operado pela Agência de Energia Atômica do Reino Unido (United Kingdom Atomic Energy Authority), e como foi antes dos acidentes de Three Mile Island e Chernobyl, a prioridade e o dinheiro, claro, foi para a energia atômica.

Outro dispositivo com o potencial de beneficiar enormemente a humanidade que merece mais atenção e aumento de investimentos é a Célula Fotoeletroquímica.[10] Muitas vezes chamada de fotossíntese artificial, porque gera hidrogênio a partir de luz e água. Basicamente é uma placa feita de um material especial, geralmente semicondutores, colocada dentro de um recipiente com água. E quando a luz, solar ou não, incide em cima da placa, começa a conversão da água em oxigênio e hidrogênio. O problema é conseguir fabricar essas placas com baixo custo ou encontrar materiais mais baratos para fabricá-la.

Outro boa ideia pode ser os chamados reatores nucleares de 4ª geração (como base de comparação o reator de Angra 3 é de 2ª geração). Com essa tecnologia, que só existe no papel por falta de investimentos, poderemos resolver dois problemas de uma só vez. O problema de gerar energia sem queimar combustíveis fósseis, óbvio e do lixo nuclear. Isso porque esses reatores poderão usar o próprio lixo nuclear, que acumulamos durante anos das usinas antigas, como combustível, diminuindo sua meia-vida para 20 anos (plutônio por exemplo tem meia vida de 24,200 anos) e assim depois de 100-150 anos a radioatividade será mínima.[7]

Essa forma de encarar o problema do aquecimento global está sendo proposta há alguns anos por algumas pessoas como Bjorn Lomborg que muitas vezes são ridicularizadas pela mídia. Ele foi o idealizador do Copenhagen Consensus em 2004, quando era diretor do Environmental Assessment Institute (Instituto de Avaliação Ambiental) da Dinamarca. O Copenhagen Consensus nasceu como uma conferência focada em priorizar os problemas mundiais e encontrar as melhores soluções disponíveis baseadas na análise custo-benefício. Na sua primeira conferência realizada, o painel de especialistas reuniu oito renomados economistas, incluindo quatro Prêmios Nobel.[11] Eles criaram uma lista com os principais problemas globais; doenças, subnutrição e água potável estavam no topo enquanto mudança climática acabou no final. Em 2006 foi criado o Copenhagen Consensus Center[12], tendo como diretor o próprio Bjorn Lomborg, sob os auspícios da Copenhagen Business School. O centro é um think tank com ênfase nas mesmas ideias da conferência: focar menos no que é “tecnicamente possível” e mais no que é realisticamente factível, ou seja, nós poderíamos parar de emitir CO2 agora, mas o impacto para as nações em desenvolvimento seria desastroso.

Como Lomborg diz: “Nós estamos amedrontando as crianças com exageros – elas acreditam que não terão um futuro e que o mundo vai acabar”. E ainda que “precisamos exigir que a mídia pare de assustar nossas crianças e à nós. Precisamos de um diálogo mais racional, mais construtivo e menos assustador.” [13]


Referências:

[1] Mudança Climática Existe, Só Não É Causada Pelo Homem por Francisco Roland Di Biase, Global Research.

[2] Trailer do filme “Uma Verdade Inconveniente”

[3] Vídeo de abertura da conferência climática da ONU COP15 sediada em Copenhagen em 2009:

[4] Uma Verdade Inconveniente de Davis Guggenheim

[5] Relatórios do IPCC

[6] Paul Reiter – Wikipedia

[7] Cool It (2010) do diretor Ondi Timoner com Bjorn Lomborg, baseado no livro de Bjorn Lomborg de mesmo nome.

[8] Wikipedia - Freeman Dyson

[9] Wikipedia – Stephen Salter

[10] Wikipedia – Photoelectrochemical cell

[11] Lista de participantes do Copenhagen Consensus de 2004

[12] Copenhagen Consensus Center

[13] Scared silly over climate change por Björn Lomborg no The Guardian


Artigo de Francisco Roland Di Biase